Terminei (finalmente...) de ler
Orson Welles, de André Bazin, que é uma espécie de biografia comentada e analítica da vida e obra do cineasta. Eu já sabia que ele era de touro, que gostava de charuto, de rádio, de montagem e de bem viver, e achava que as semelhanças entre ele e eu terminavam aí: afinal ele é um gênio e eu não sou nada. Mas a leitura desse livro foi providencial neste momento de minha vida, pq vi q Welles tinha as mesmas inquietudes que eu e a mesma capacidade de enfiar os pés pelas mãos que eu tenho. De não saber por onde começar.
O que mais me deixou siderada, porém, foi este trecho do livro, que me serviu de inspiração não para o que eu sinto em relação ao cinema, mas para certas decisões que eu preciso tomar agora:
"Faz agora cinco anos que penso em largar o cinema, pois vivo nele noventa por
cento de minha vida e de minha energia sem exercer função de artista, e,
enquanto ainda me resta um pouco de juventude, tenho que tentar encontrar outro
terreno onde possa trabalhar, parar de desperdiçar minha vida tentando me
exprimir pelo cinema (...). Não, não é nada de dramático: não é que eu seja
amargo ou o que for, mas quero trabalhar".
É por aí que me sinto: como uma apaixonada pelo que faço, mas muito mal correspondida. Tal como Welles com o cinema.
De resto, a casa começa a ficar em ordem, as coisas começam a entrar nos eixos. Sinto que, devagar e sempre, eu chego lá, nos meus objetivos.
Esse foi mais um domingo proveitoso, apesar de recluso, como o último.
Bjs!